Chá ou Café?

Chá. Chá preto, chá verde, chá mate, chá de lírio, chá de cogumelo.... para reunir os amigos, para conversar, para viajar... Histórias mais filosóficas, mais sensoriais, mais espirituais, mais... ........................................... Café. Café curto, café longo, café com um pouquinho de leite. Pra acordar, pra deixar ligado, pra tomar rapidinho no balcão. Histórias do dia a dia, teorias de 2 segundos, pirações mais terrenas...

quinta-feira, julho 27, 2006

Uma corrida desesperada – uma história de chá, sem açúcar

E ele saiu de casa determinado a nunca mais voltar. Cortou distância, falou com estranhos, viu o mundo sempre querendo ir mais além. Foi nessa corrida desmiolada que ele viu alguém. Viu e lembrou-se de que também havia deixado alguém, que alguém em algum lugar ansiava por sua chegada e esta tardaria enquanto se fizesse necessário.

E assim ele se deixava levar, com o passar do tempo, com o correr dos ventos, ia se deixando cada vez mais longe, cada vez mais distante de um destino impossível de alcançar.

Dias foram passando, fases se extinguindo, luas mudando. As estrelas já não olhavam para ele da mesma maneira, não sorriam da mesma forma, não lembravam com o mesmo carinho, não abraçavam com a mesma emoção. E ele apenas lá, deixando-se esperar, fazendo-se estar, ocupando um lugar que não lhe merecia, atendendo a um sonho que não conhecia, respirando um ar que não lhe penetrava. Os dias passavam e cada dia novo era igual e cada sonho novo era mais real, real como algo que não se altera, que é e pra sempre ser o mesmo.

Queria chegar ao fim, sim, como queria, e queria mesmo, com todas as forças que vitoriosamente ainda lhe restavam.... Dias frios, quentes, chuva, nada mais importava. Nada mais podia lhe fazer sentir novamente as emoções daquele que, sorrindo, conquista o mundo e, caminhando, alcança histórias. Apenas a limitada existência, a dúvida de ser, a incerteza de esquecer, a impureza de pertencer. A cada dia, era menos ele, até que, num desses dias, como as águas carregam as folhas que não querem mais respirar, ele se foi, levado por mãos que não podia sentir, por olhos que não podia enxergar, pela velocidade que não conseguia encontrar mas, principalmente, pela força, pela insistência de um dia vir a ser.

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial