Chá ou Café?

Chá. Chá preto, chá verde, chá mate, chá de lírio, chá de cogumelo.... para reunir os amigos, para conversar, para viajar... Histórias mais filosóficas, mais sensoriais, mais espirituais, mais... ........................................... Café. Café curto, café longo, café com um pouquinho de leite. Pra acordar, pra deixar ligado, pra tomar rapidinho no balcão. Histórias do dia a dia, teorias de 2 segundos, pirações mais terrenas...

terça-feira, setembro 05, 2006

Eu e a Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho – uma história de chá, de cogumelo

Uma das minhas “histórias infantis” preferidas é Alice no País das Maravilhas. Uma história que de infantil, a meu ver, não tem nada. Primeiro porque Lewis Carroll era um louco, dizem que o texto está cheio de jogos matemáticos e de lógica. Segundo que, uma história em que sua personagem principal segue um coelho apressado descer por um buraco, depois come um cogumelo para ficar grande, bebe um líquido estranho para ficar pequena, conversa com uma lagarta fumante, toma chá com um chapeleiro maluco e é julgada pela Rainha de Copas, me parece que vá um pouco além do imaginário e entendimento infantil.

O fato é que, desde pequena, toda essa alegoria surreal me cativou. Preferia mil vezes ser a Alice, ficar grande, ficar pequena, conversar com o gato que desaparece e comemorar meu desaniversário naquela festa louca com a Lebre de Março, do que ficar deitada adormecida esperando meu príncipe, ou limpando uma casa a espera de um sapatinho ou fada madrinha. No desenho, as cores pareciam mais vivas, as flores cantavam e o exército de cartas de baralho era tudo o que eu sempre quis ter.

Entretanto, a parte que eu sempre gostei mais é aquela em que a Alice passa para o outro lado do espelho. Onde tudo é invertido e ao contrário. Aliás, Alice através do Espelho já é outro livro, a continuação da mesma piração. A idéia de poder passar para o outro lado e poder ver tudo de uma perspectiva invertida sempre me pareceu extremamente interessante. Não que comer ou beber algo e distorcer minha percepção de dimensão e espaço não me interessasse também, mas poder adentrar em um ambiente em que tudo seria exatamente ao contrário do mundo real me parecia muito mais impossível e, por isso, mais excitante.

Sempre acreditei naquela máxima em que as regras existem para serem quebradas. E ficar imaginando situações opostas sempre foi uma diversão. Do outro lado do espelho, as pessoas iriam para a escola ou trabalho nos fins de semana, tendo a semana toda para se divertirem. Nas refeições, comeríamos doces e depois delas, salgados. Os peixes nadariam no céu e as aves voariam no mar. Sorvete seria quente e sopa seria gelada e mais uma porção dessas brincadeirinhas. No fundo, no fundo, eu ainda achava que o mundo real era bom mesmo do jeito que estava, mas era gostoso ficar imaginando o seu inverso.

A idéia de sair do mundo real, de alterar a minha percepção, de encontrar uma visão oposta sempre me cativou. Sempre achei que a realidade estava ali para ser manipulada e enxergada sob o ponto de vista que seu observador escolhesse. Jogos de imaginação eram os meus preferidos.

Um bom tempo depois do fim de minha infância, comecei a ver toda aquela história da Alice com outros olhos. Li os dois livros no original, fiz minhas próprias interpretações, tracei minhas próprias teorias e, principalmente, passei a experimentar o mundo na visão da Lagarta Azul, do Chapeleiro Maluco, do coelho apressado, do gato que desaparece, da Lebre De Março, da Rainha de Copas (“cortem-lhe a cabeça” ainda é uma das minhas citações preferidas) e também da própria Alice.

No fim, acredito que um mundo de Maravilhas ou feito de coisas que parecem opostas ao que deveriam ser ainda não seria perfeito, já que se a realidade fosse bizarra assim, nossa válvula de escape seria uma realidade alternativa absolutamente normal e previsível. Ou será que não faz diferença se vivemos num mundo ideal ou surreal, seus opostos serão sempre igualmente interessantes e atraentes, considerando que aquilo que não se tem parece indubitavelmente muito melhor do que aquilo que se consegue todo dia?

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Só pq nunca deixei um comentário, mas vivo lendo seus pensamentos... AMEI esse. Bjo!

18 setembro, 2006 16:25  

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial