Chá ou Café?

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quarta-feira, setembro 20, 2006

O sentido dessas palavras sem sentido – uma história de chá, metalingüístico

É engraçado como certas palavras significam a mesma coisa, mas muitas vezes são interpretadas de maneira diferente, seja devido ao contexto em que estão inseridas, ou entonação de voz, ou então simplesmente porque tal vocábulo já carrega em si mesmo uma carga semântica muito além de seu sentido conotativo.

Por exemplo, você pode contar para alguém que elaborou uma nova receita de bolo, algo realmente significativo. Agora, se você disser que criou uma nova receita de bolo, não sei porquê, mas parece muito mais inventivo e, com o perdão da redundância, criativo. Isso porque criar está diretamente relacionado com criatividade, imaginação, genialidade, etc. Já elaborar tem um caráter mais formal, de algo que foi desenvolvido depois de árdua pesquisa e fruto de habilidades especificas. O criador é aquela entidade quase mitológica do ser que inventa coisas assim, do nada, quase que por geração espontânea. Realmente alguém para ser admirado e estudado, mesmo que o fruto de suas criações nem seja assim tão impressionante. O fato é que CRIAR confere muito mais importância ao seu agente ativo do que ELABORAR. Elaborar qualquer um elabora, agora quero ver criar igual aquele cara faz! Mais ou menos isso.

Quando você quer convencer alguém por exemplo. Qualquer palavra mal empregada, ou combinada com alguma outra que não conecta muito bem pode colocar todo o seu plano abaixo. Assim, detalhes que as vezes você nem percebe, mas para quem ouve soam como bombas ou trovões, simplesmente destroem qualquer coisa que já tenha sido alcançada até aquele momento.

Dizem que as feridas morais são muito mais difíceis de serem curadas do que as físicas. Isto porque deixam cicatrizes muito mais profundas, afinal, quem as deve resolver é a psique e não o corpo e o que interpretamos e internalizamos é muito mais difícil de ser eliminado ou transformado do que um arranhão ou hematoma que logo pára de doer e em pouco tempo desaparece. Deste modo, depois de uma exaustiva briga usando apenas palavras como armas, seus lutadores estarão muito mais destruídos e feridos por longo tempo do que qualquer pancadaria luta livre que você possa imaginar.

No dia a dia, na conversa cotidiana, dificilmente paramos para pensar, devo usar isso ou aquilo, esse adjetivo combina com esse substantivo e blah blah blah. Simplesmente vamos colocando uma palavra após a outra e no fim, vê-se o que dá. Na realidade, esse processo de escolha de palavras já é tão automático que nem percebemos seu movimento, mas prestando atenção, dá para ver que as pessoas falam mais pausadamente e refletindo quando estão encurraladas, precisam explicar algo, ou sentem-se acuadas. Porque, literalmente, tudo o que você disser, pode e será usado contra você nesse ou naquele tribunal. Entretanto, quando nos sentimos à vontade, falamos tudo de uma vez, por vezes sem ponto, vírgula ou acentuação. Desde que a mensagem seja transmitida, não importa muito a sua forma. Mas mesmo nesses momentos de puro vômito verbal, acabamos juntando as palavras que soam melhor e que entendemos irão criar a melhor imagem do que tentamos dizer.

E enquanto eu estou aqui, escolhendo as palavras para escrever esse amontoado de coisas relativamente inúteis, você está aí formulando na sua cabeça algo que explique qual a utilidade de mais uma dessas teorias estapafúrdias (atenção, porque usando estapafúrdia para encerrar o texto, eu gastei!).

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