Chá ou Café?

Chá. Chá preto, chá verde, chá mate, chá de lírio, chá de cogumelo.... para reunir os amigos, para conversar, para viajar... Histórias mais filosóficas, mais sensoriais, mais espirituais, mais... ........................................... Café. Café curto, café longo, café com um pouquinho de leite. Pra acordar, pra deixar ligado, pra tomar rapidinho no balcão. Histórias do dia a dia, teorias de 2 segundos, pirações mais terrenas...

quinta-feira, setembro 21, 2006

UM – uma história de chá, místico

Apesar de ter sido criada no catolicismo e ter até feito primeira comunhão, eu nunca fui muito religiosa e sempre desconfiei das histórias da Bíblia. Atualmente, acredito que não tenho religião. Acredito numa energia mais forte que nos una, mas não acredito num ser-deus. Gosto de entrar em igrejas para passear e pensar. Elas normalmente me trazem uma paz. Deixo-me perder observando os detalhes da arquitetura, decoração, quadros, estátuas e vitrais, mas dificilmente sento e rezo. Fico ali sentindo a tal energia do lugar, as que tem centenas de anos de existência são mais interessantes para isso.

Essa história toda de energia sempre me pareceu um grande clichê. Nunca falei muito sobre o assunto com ninguém e sempre guardei a maioria desses pensamentos estranhos para mim mesma. Não gosto de discutir religião. Respeito a que os outros escolheram para si, do mesmo modo que quero que respeitem a falta de crença que tenho para mim. Não que eu não acredite em nada, apenas questiono demais as coisas para simplesmente me dedicar a fé pura e cega de um fiel.

Poucas vezes tive contato com essa energia que eu disse acreditar existir. Algo sutil e que eu não consigo exprimir muito bem em palavras. Ontem, lendo um livro, acho que consegui entender no que por assim dizer eu acredito. Talvez eu consiga explicar. Talvez não.

O universo é composto por unidades que trabalham em conjunto e se completam formando algo único, o UM. Cada uma dessas unidades é feita de outras menores e outras, até sua essência mínima. É como se todo o universo fosse um ser vivente como nós, feito de órgãos, músculos e tecidos que, por sua vez, são constituídos por células que, por sua vez, são um organismo vivo em si.

Indo mais além, é como se nós, seres humanos, fossemos estas células que compõem um órgão, tecido ou músculo do universo. Cada um de nós tem uma função, ínfima as vezes, porém uma função essencial para a manutenção do todo. Podemos ser uma mitocôndria, ribossomo ou complexo de Golgi. O importante é saber se relacionar e agir dentro e fora de nossa célula. Fagocitar tudo aquilo que for estranho à nossa natureza e retirar dele o que de melhor se é possível extrair. Absorver por osmose aquilo que nos é oferecido de bom. Devemos também estar atentos aos fatores externos. Aprender a escutar e sentir os estímulos que vêm das outras células. Se produzimos um enzima em demasia, todo o comportamento do órgão que fazemos parte se altera. No caso contrário, se deixamos de produzir algum substrato, a situação também muda.

Somos todos uma parte do todo e apenas quando sentimos isso, quando absorvemos os estímulos e devolvemos o produto de nosso entendimento, é que nos sentimos em harmonia com o resto lá fora e pertencemos a algo maior. É só nesse instante que percebemos nossa importância, a relevância de nossos atos, por menores que sejam, na manutenção do universo. Qualquer ação irá gerar uma reação e alterar todo o conjunto de células que dependem de nós, uma reação que irá reverberar até sua última instância.

Não adianta pensar que somos pequenos demais para importar ou grandes demais para sermos esquecidos. Todos deixamos um legado aqui. E este não precisa ser em forma de algum feito marcante ou diversos descendentes. Cada simples gesto, conversa ou manifestação deixa uma marca, altera o curso e aciona uma seqüência de reações. E apenas por esse fato já deixamos nossa participação gravada na existência.

Para mim, o mais importante não é saber o valor que tenho ou venha a possuir na história da humanidade e sim, aquele sentimento de unidade, de saber estar inserida em algo maior, em conhecer que, no fundo, tudo aqui é parte de um mesmo UM. E aprendendo a ouvir o que as outras partes necessitam e aprendendo a nutrir nossas necessidades com respeito, sinceridade e atenção, podemos viver em paz e felizes. Seguindo esses instintos em conexão com essa energia maior, não tem como as coisas darem errado, porque quando em sintonia, por mais complexo que os processos pareçam, eles sempre se resolvem a si mesmos, pois o organismo maior não pode parar e fazendo parte desse todo, nos beneficiamos da energia em curso.

E essa coisa de procurar o sentido da vida, também não leva a lugar nenhum. Afinal, o que foi, já passou. O que virá, não se sabe como vai ser. E sentido mesmo, nada direito faz. Ninguém sabe se estará aqui amanhã. Então, se algo tem que fazer sentido, que seja isso que você faz agora e é, nesse momento, simplesmente por assim ser.

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