Chá ou Café?

Chá. Chá preto, chá verde, chá mate, chá de lírio, chá de cogumelo.... para reunir os amigos, para conversar, para viajar... Histórias mais filosóficas, mais sensoriais, mais espirituais, mais... ........................................... Café. Café curto, café longo, café com um pouquinho de leite. Pra acordar, pra deixar ligado, pra tomar rapidinho no balcão. Histórias do dia a dia, teorias de 2 segundos, pirações mais terrenas...

segunda-feira, outubro 02, 2006

Alguém dê um trato na Poliana, por favor – uma história de café, que podia ser pior

Vira e mexe eu me pego com essa maldita mania de Poliana. Sabe esse péssimo hábito de tentar ver um lado bom em tudo? Esse mesmo. Você não tem esse problema, sorte sua. Mas receio que, mesmo sem saber, você já foi acometido por alguns dos sintomas dessa doença sutil, porém avassaladora.

Você está caminhando alegre a calmamente pela rua. O dia está lindo, você não está com pressa e o clima está agradável. Você vestiu uma de suas roupas preferidas e tudo parece estar em perfeita harmonia. Sim, parece. Isso até que uma pomba delinqüente resolva se aliviar ali, exatamente em cima da sua cabeça. Numa questão de poucos segundos, aquele dia ensolarado e abençoado por um coro de anjos barrocos se transforma em uma visão dantesca, labaredas de fogo se formam sob seus pés, enquanto nuvens negras encobrem sua cabeça. Nesse momento, eis que alguém, numa vã e inútil tentativa de te reanimar, solta a pérola “não se preocupe, isso é sorte, você vai ter muita sorte essa semana”. Igual quando você pisa na bosta “magina, isso é só um sinal de sorte”, ou quando é cercado por abelhas, correndo o risco de tomar uma picada fatal e alguém vem a com a maior cara lavada e afirma com toda convicção “as abelhas trazem fortuna”. Ah sim, afortunados aqueles que são recebidos nos campos do Senhor após um ataque de abelhas africanas.

Ao inferno com tudo isso. Sim, merdas acontecem e devemos estar preparados para lidar com elas, não inventar um conto de fadas para explicar o acontecido. É claro que tudo sempre pode ser pior, podia estar chovendo estrume, mas precisa dar uma dessas explicaçõeszinhas baratas toda vez que algum desses acidentes detestáveis acontece? Não dá para simplesmente falar um montão de palavrão, xingar todas as gerações, póstumas e futuras, e esperar que a raiva passe para esquecer o episódio de vez? Um toque de Poliana as vezes faz bem, confesso. Mas toda hora não dá. É insuportável.

Você cai, tropeça e quebra a perna. Ah... pense pelo lado bom.. podia ter sido pior, você podia ter quebrado todos os dentes e fraturado umas costelas. Sim, sou um sortudo por estar usando esse gesso incômodo nesse calor úmido de 40 graus. Seu cachorro destrói o seu trabalho de conclusão de curso, o computador dá pau e o seu backup está tão atualizado que a única coisa que te resta é a introdução. Mas calma, você tem saúde, inteligência e o que importa é que você está bem, inteiro, pensante, pode escrever tudo de novo, é fácil. Não, não e não. Não está nada bem, qualquer coisa que pareça melhor do que desesperador é irritante e eu não quero ser consolado, simplesmente quero uma doze para destruir alguma coisa e tentar aliviar a minha raiva.

Tentar enxergar o lado bom de tudo deve ser uma benção, quiçá uma arte, mas sinceramente, não me agrada. Pra dizer a verdade, acho que essa tal de Poliana (me controlo aqui para escrever “tal” e não “vaca”) deve ter se casado com aquele outro FDP do Murphy. Isso porque um deles está sempre fazendo tudo que pode dar errado efetivamente dar errado, enquanto o outro está sempre tentando contornar a situação com palavras doces e teorias açucaradas.

Imagina a cena. O Murphy tá lá, passando manteiga no pão e o dito cujo, é claro, cai de cabeça para baixo fazendo a maior meleca. Aí chega a vadia da Poliana toda solícita “ai benzinho, não fica triste não, eu faço outro pra você nesse momento. E olha só, aquele pão nem era tão bom assim, tava com um queimadinho na ponta, você viu? Ia deixar a sua boca toda amarga e estragar o final do seu café da manhã. Toma, assim está bem melhor.”

Dona Poliana e seu Murphy vão ao supermercado e, obviamente, na hora de pagar, escolhem a fila que não anda de jeito nenhum, nem com reza braba. Murphy faz aquele cara de “eu te disse”, enquanto Poliana tenta contornar a situação “assim que é bom coração, enquanto a gente espera, dá para eu te contar o que aconteceu na escola do Juninho, você não vai acreditar, você nunca tem tempo mesmo de ouvir, acho que essa é uma hora perfeita, sem contar que assim você fica um pouco em pé em vez de passar o domingo todo sentado lá naquele sofá”. Simplesmente o casal perfeito, sem sombra alguma de dúvida.

E depois de tudo isso, só me resta mesmo desejar com toda força de meu ser que, um dia desses, o Murphy pegue a Poliana de jeito e os dois fiquem lá, entretidos por alguns minutos, com sorte algumas horas, e finalmente, deixem a humanidade em paz.

2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Se Murphy está certo, não tem como se animar com a perspectiva da Poliana. Pelo menos você tem certeza que aconteceu do pior jeito possível.
Mas se a Poliana está certa, vai ser um saco ter que se contentar com as coisas do jeito que aconteceram.

Mas quer saber ? Eu vou é fazer backup do meu tgi. (Seguro morreu de velho.) E matar a aula de licenciatura. (Isso sim é ação positiva frente a uma das piores coisas do mundo)

Eu não disse que ia ser fácil de te achar ?

02 outubro, 2006 19:24  
Blogger Kel disse...

Na realidade, nao tinha pensando nem em um nem em outro como certos. Queria soh que os dois desaparecessem, mas o seu ponto de vista tbem eh bem interessante.

como jah disse, sua memoria eh muito melhor que a minha... rs

05 outubro, 2006 11:51  

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