A exceção das regras e suas exceções – uma história de chá, porque nem o café abriria essa exceção
Dizem por aí que para toda regra, existe uma exceção. Uma não. Várias. Eu, sinceramente, acredito que toda regra foi feita para ser quebrada, mas infelizmente, até nesse ponto, muitas vezes, caio em contradição. Porque se a afirmação “toda regra tem uma exceção” já é uma regra, qual seria a sua exceção?
Correndo aqui o risco de adentrar em um campo metafísico demais, me proponho a discutir regras, suas exceções e as exceções das exceções, aliás, como fica estranha essa palavra depois de repetida três vezes, será que eu invoquei alguma entidade mitológica dos deuses dos extremos? Melhor voltar logo ao assunto, se é que isso é um assunto.
Pois bem, deste lado estão as regras, do lado oposto estão suas exceções. Agora, se a exceção, por assim ser, também se torna uma regra, será que sua exceção correspondente seria então a regra original, ou chegaríamos a outra variável tão distante da primeira que cairia em outra classificação, a das regras novas, ou pior ainda, seria igual a uma das regras antigas já praticadas e previamente catalogadas?
Tudo isto está muito abstrato e eu realmente prefiro quando as coisas fazem um pouco mais de sentido, quando obtêm forma, quando tornam-se plásticas. Voltemos ao ponto de partida. Toda regra tem sua exceção, ou seja, um desvio. Esse desvio torna-se uma regra a medida que alguém o segue como tal. Transformando-se em uma regra, abre espaço para uma outra exceção e por aí a coisa vai se desenrolando, até que a exceção da exceção se pareça tanto com uma regra, que nem seja mais considerada uma exceção.
E aí vem a pergunta. Se as pessoas quebram as regras para serem revolucionárias, rebeldes, diferentes, originais ou o que quer mais que elas queiram, a medida que elas quebram mais em mais regras, simplesmente só vão chegando mais perto de uma regra que já estava ali, muito antes deles pensarem em quebrar a anterior.
As exceções existem, não há como negar. Entretanto, sua repetição incessante as transforma apenas em mais uma regra banal, por vezes estúpida e feita para ser quebrada. Enfim, não adianta seguir a vida tentando e se esforçando para seguir todas as regras, porque cedo ou tarde, elas serão quebradas. Como também não adianta seguir a vida quebrando todas as regras, porque cedo ou tarde, toda exceção também se torna regra.
O bom mesmo é ir levando, quebrando uma regra aqui, criando uma nova acolá, sendo chato e seguindo uma regra estúpida até o fim dos dias. O importante, no meu humilde ponto de vista, é não levar nada muito a sério demais. Nem o lance de seguir regras, muito menos o de quebrá-las ou pior ainda, desconhecer que viver quebrando regras é simplesmente uma das regras mais antigas da ordem do universo.


3 Comentários:
Eu não sei porque mas adorei esse texto. Adorei mesmo.
Bonito demais. Nem vou tentar fazer "comentários inteligentes"
Adorei o texto e o blog!!!
Abçs!
Muito bom texto!
Me lembra um do machado de assis " a igreja do diabo". é uma história onde o diabo cria uma igreja oposta a ja existente, como se fosse uma igreja dos pecadores, onde antes o que era proibido agora passaria a ser dogma. Mas ai, pra surpresa do diabo, depois de um tempo, seus seguidores passam a seguir os antigos dogmas. Ai o leitor entra na conclusao de que sempre a regra será quebrada. é um texto curto, e legal de ler, dá uma olhada ;D
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