Lendo o futuro através das placas (de sinalização) – uma história de café, de beira de estrada
Outro dia me disseram uma coisa que eu nunca tinha efetivamente parado para pensar. As placas de sinalização, sim, essas de trânsito, nunca te informam efetivamente onde você está, elas simplesmente fazem uma predição do futuro, tipo São Paulo a 52 quilômetros, ou curva perigosa em 500 metros.
De que vale saber se Piraporinha do Bom Jesus está a 5 quilômetros, ou 300 se você não sabe nem em que estrada você está? Uma hora, é claro, você chega em algum lugar, mas quantos metros, quilômetros você já não andou perdido em qualquer estradinha por aí simplesmente porque nada ou ninguém conseguia te informar o nome da dita cuja?
Isso quando você não é vitima de uma daquelas placas estilo pegadinha, aquelas que ficam escondidinhas, com uma seta discreta apontando o local da última saída antes daquela terrível via expressa que vai te levar diretamente para bem longe de onde você gostaria de chegar. Ela fica ali, exatamente em cima do local em que você deveria virar, mas é por essa mesma razão que você acaba perdendo-a. Porque se, como as outras, ela tivesse te adiantado o futuro, (última saída em x metros), você saberia onde virar. Mas, ironicamente, ela só te avisa em cima da hora, quando a única coisa que te resta fazer é xingar e rezar para que o retorno mais próximo seja antes do próximo limite de município.
Fica claro aqui, que o responsável pela sinalização das estradas é um grande sádico com um senso de humor impagável. O que você precisa saber de imediato, te avisam depois. O que você precisa saber com antecedência, te avisam em cima da hora. E o que você não precisa nem nunca quer saber, eles não param de te avisar.
Na realidade, acho que aquele povo que cuida da previsão do tempo é o mesmo que elabora e distribui as placas de trânsito, afinal, eles seguem a mesma lógica. Quando você já tem o seu fim de semana na praia todo planejado, te avisam em cima da hora que vai chover. Quando você não tem tempo nem para colocar o nariz para fora da janela, ficam avisando que a onda de calor vai perdurar “uma eternidade” e quando você não está nem aí se chove ou se faz frio, todo mundo resolve comentar com você da mudança óbvia e brusca do tempo.
No fim das contas, acho que é tudo um grande complô. Sempre tem um nevoeiro tampando aquela placa que você queria ver, o sol sempre te cega impossibilitando de checar o limite de velocidade e sempre chove quando o pneu do carro fura e você tem que parar ilegalmente no acostamento para finalmente descobrir que estava há mais de 30 quilômetros dirigindo na estrada errada. Apenas mais um dos grandes mistérios que nem as placas de trânsito são capazes de prever.


0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial