Porque pseudo-qualquercoisas deveriam ser impedidos de liderar – uma história de café, da hora do cafezinho
Seres humanos desprovidos da habilidade de enxergar por completo qualquer tipo de processo, seja ele de produção/criação ou qualquer outra coisa, deveriam simplesmente ser sumariamente proibidos de dar ordens.
Isso porque, quando o sujeito não sabe nem quais meios levam aos fins que ele deseja, ele também não merece possuir o direito de delegar ordens a alguém. Segue aqui um exemplo prático e cotidiano da minha rotina. Tenho certeza que trocando alguns substantivos dá para enquadrar a cena em qualquer outra situação.
Você tem que alterar, imprimir e montar um folheto. Fulano chega e diz que é SÓ fazer uma alteraçãozinha aqui, outra ali, imprimir e tá pronto. Em quinze minutos tá pronto. Aí vem a realidade, entre abrir o arquivo, fazer a alteração, salvar e preparar a impressão, se nada dá errado e se ninguém mais muda de opinião na última hora, o que acontece em 99,9% das vezes, perde-se cerca de uma hora, fácil. Não acreditando que possa levar tanto tempo só para fazer aquela alteraçãozinha, o dito cujo se posiciona atrás de você e observa todo e qualquer movimento, comenta sobre o óbvio e mantém aquele olhar fixo como se tivesse o poder sobrenatural de mover o impossível.
Finda a primeira etapa, tem-se inicio a emocionante batalha contra a impressora. Primeiro, a encarnação do demo e inimiga número 1 dos prazos cospe a folha mil vezes antes de educadamente engoli-la para a impressão. Depois, tudo parece que vai muito bem, até que, inexplicavelmente ela puxa mais de uma folha, imprime nas duas juntas e depois ainda fica com uma terceira encalacrada atrapalhando todo o movimento. Calmamente você vai lá, retira o papel delinqüente, realinha as folhas, pausa a impressão e conta quantas páginas vai ter que imprimir de novo. No fim, entre cancelar a impressão, imprimir de novo, remanejar tudo, cortar e montar, foi-se mais uma hora.
É nesse exato momento que o homem/mulher das ordens não entende como é que pode demorar tanto, quando era tão simples. Ora, se o individuo fizesse idéia de como efetivamente as coisas acontecem, de que tipo de ações e medidas devem ser executadas antes de se obter o produto final, não ficaria fazendo perguntas e já saberia suas respostas. Como é que você pode coordenar algo que você não conhece, me diz? Só porque você se acha bom em dar ordens? Só porque alguém lhe deu esse poder?
Vale a pena lembrar que, enquanto tudo isso acontece, ele caminhou como uma sombra atrás de você, na esperança de milagrosamente materializar alguma coisa, conseguindo apenas materializar o seu mau humor. No final, beltrano dá aquele sorrisinho amarelo e diz que vocês fizeram um excelente trabalho. Se o cara não faz idéia nem como realizar aquele trabalho, como é que ela acha que pode liderar a execução de tal? Isso simplesmente não faz sentido para mim. Se você não sabe como algo é feito, você definitivamente nunca poderá identificar se algo sai errado, se foi mal executado e será impossível de corrigir, não sabendo nem por onde começar.
Sem alongar ainda mais o meu mau humor, deixo aqui registrado o meu irritado protesto contra todos aqueles que vivem dando ordens, quando na realidade não sabem nem que tipo de ordem estão dando.


1 Comentários:
Muito bem redigido o seu texto... A mais pura realidade! Meu chefe deveria ler isso, pra ver se cai na real... rs.
Um beijão...
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