Chá ou Café?

Chá. Chá preto, chá verde, chá mate, chá de lírio, chá de cogumelo.... para reunir os amigos, para conversar, para viajar... Histórias mais filosóficas, mais sensoriais, mais espirituais, mais... ........................................... Café. Café curto, café longo, café com um pouquinho de leite. Pra acordar, pra deixar ligado, pra tomar rapidinho no balcão. Histórias do dia a dia, teorias de 2 segundos, pirações mais terrenas...

quarta-feira, janeiro 10, 2007

O elevador e eu – uma história de café, entre andares

Eu não gosto de elevador. Do mesmo modo que tem gente que não gosta de quiabo, ou jiló (eu adoro os dois), eu não gosto de elevador. Assim, sem nenhum grande motivo aparente. Não tenho nenhum problema com eles. Nenhum trauma. Nunca fiquei presa durante horas, nunca me aconteceu nada de mal. Eu simplesmente não gosto deles. Mas, apesar de não gostar, ao contrário do que as pessoas fazem com o jiló e o quiabo, eu não o evito. Dificilmente pego as escadas (a não ser que sejam rolantes) ao invés de ir de elevador. Só quando tenho que ir a andares baixos e seria um desaforo chamar o elevador, que eu me dou ao trabalho de subir as escadas. De outra forma, mesmo com todo o meu desgosto, encaro o dito cujo.

A parte que eu não gosto nos elevadores é a impessoalidade. Você entra lá, naquela caixa de metal que se fecha com o seu consentimento e começa a subir ou a descer um vão. Ao seu lado, estranhos, ou às vezes até pessoas conhecidas. Todos compactados na mesma caixa. Você não sabe muito bem o que dizer, aliás, não sabe nem se deve dizer alguma coisa. Não se mexe muito para não invadir o espaço pessoal de ninguém. Se tem espelho, você olha para trás, meio discretamente e finge arrumar o cabelo. Se tem aqueles contadores de andar, você fica olhando fixamente como se pudesse acelerar o processo de locomoção. Se você não tem nenhuma válvula de escape, olha para o chão, pega a chave, mexe na mão, ou reza para tudo acabar o mais rápido possível. O problema mesmo é quando alguém resolve puxar papo “puxa, parece que vai chover hoje, não?”, “que calor!”, “nossa, como você cresceu! (eu não cresço há mais de 10 anos) a última vez que te vi, você estava no colo da sua mãe!” (ã-hã). É insuportável, eu não consigo dar continuidade a nenhuma dessas conversações. Sou incapaz. Simplesmente, puramente, incapaz. Parece-me imoral, falta de decoro manter uma conversação num lugar tão apertado, quando em breve nos separaremos para nunca mais nos vermos. Porque então tentar manter qualquer tipo de relação?

Por outro lado, acho educado (e isso eu pratico) cumprimentar as pessoas ao entrar e ao sair do elevador. Mas apenas isso. Não precisa de nada mais. Afinal, o tempo que dividiremos no mesmo recinto não requer maior intimidade de conversação, não? Um simples “ola/oi”, “bom dia/tarde/noite” ou até um discreto aceno de cabeça, seguido por um “tchau/até logo” já basta. Porque teimar em manter uma conversação que vai de nada a lugar algum? Só aumenta o incômodo que é estar no tal elevador.

Sem contar o verbo que se usa para descrever o ato de transitar dentro do moderno aparelho destinado ao deslocamento vertical dos corpos. Você toma um elevador? Eu tomo água, remédio, até vergonha na cara... Agora um elevador? Tomá-lo, engoli-lo? Sei lá, difícil para mim. Você pega um elevador? Você agarra ele com todas as suas forças para só soltar quando chegar no seu local de destino? (acho que para certas pessoas isso até pode servir, não para mim.) Você anda de elevador? Não é tão mal, já que você anda de carro, de moto, de cavalo... Acho que o melhor mesmo é ir de elevador. Vou de elevador, afinal, ele nada mais é do que um meio de transporte, por mais limitado que seja.

Durante a minha infância, era fã de elevadores. Entrava e apertava todos os andares e saia correndo, achando que tinha feito a maior traquinagem do mundo. Ou então apertava o botão de segurança para o elevador travar no meio de algum andar, assustando todo mundo. Adorava ficar presa e ver o elevador abrir no meio de uma parede, ou entre andares, ou no meio do nada. Ficava esperando o momento que finalmente ele iria me levar para outra dimensão, outra realidade, outro mundo. Infelizmente, isso nunca aconteceu, eu cresci, nós nos separamos e, hoje em dia, apesar de tolerá-lo, eu não gosto mais dele como costumava. Sozinhos, eu e ele, até pode ser. Eu finjo que não estou olhando, ele finge que não se importa. Agora, em companhia de outras pessoas... aí fica complicado.

E quando tem ascensorista? Que andar, por favor? Ou quando tem musiquinha no elevador? O au concour em todas as categorias. O fato é que, apesar de não gostar muito, eu os respeito. Afinal, eles prestam à humanidade um grande serviço levando um monte de gente para baixo e para cima todos os dias. Mas por maior que seja meu respeito, no caso de arranha céus ou elevadores panorâmicos até admiração, não consigo evitar de antes de entrar num deles sempre soltar um suspiro apreensivo de tensão (e aqui vamos nós!).

1 Comentários:

Blogger Pamiss disse...

me identifiquei :)
e o nosso blog hein??
hr de 2007 começar, afinal já se foi o carnaval...rsrs

27 fevereiro, 2007 22:39  

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