Certificado de veracidade da mentira – uma história de café, galhofeiro
Existem alguns profissionais que já são vistos como mentirosos antes mesmo de sequer pensarem em abrir a boca para dizer alguma coisa. Os óbvios advogados, publicitários, e claro, qualquer um que esteja no ramo da política. É verdade que você não deve NUNCA colocá-los no mesmo saco, um publicitário tem horror em ser comparado com um advogado, entretanto creio eu, que políticos adoram ser comparados com publicitários e advogados, uns até os são.
Por outro lado, existe também muito lobo em pele de cordeiro, aqueles que mentem escondidos atrás do véu da verdade. Jornalistas, documentaristas, professores e até médicos. Gente que vive espalhando por aí declarações, afirmações, constatações, muitas vezes, baseadas apenas em opinião pessoal.
Quando um publicitário/advogado/político abre a boa, todo mundo já espera que o que quer que vá sair dali seja uma grande mentira e se por algum acaso, tiver relação real com a verdade, será uma versão incrivelmente exagerada dos fatos reais. Ninguém mais acredita em nada do que eles falam, nem eles mesmos, e aparentemente, todo mundo convive bem com esse fato. Uns fingem que contam uma novidade, outros compram a idéia e todo mundo vai se enganando porque assim é mais fácil.
Mas o real problema começa quando temos que lidar com os legítimos “portadores da verdade”, aqueles que supostamente deveriam entregar os fatos como tais e deixar que seu interlocutor interpretasse a mensagem. Esse é o maior erro, porque tendo conhecimento do poder que possuem, aquele de proferir apenas a VERDADE, eles podem inclusive inventar a versão que mais lhes convir.
Jornalismo opinativo até pode ser um modo de informar, mas eu ainda acho muito perigoso, quando isso deixa de ser percebido, passando a simplesmente ser assimilado, incontestado e acatado. Porque se você já está condicionado a não acreditar na propaganda, mas no jornal você acredita, quem garante que os limites entre um e outro não são ultrapassados quando os dois convivem de modo tão interdependente? É fácil virar as páginas de uma revista sem notar os anúncios, se prender com unhas e dentes em uma matéria e sair dali fazendo exatamente o que o jornalista manda. Agora, sair e comprar o que quer que o anúncio vendesse já não é tão fácil assim. E porquê? Simplesmente porque se convencionou que um é o vilão e o outro é o mocinho.
Essa necessidade maniqueísta do ser humano de opor bem e mal. Colocá-los em lados opostos e não aceitar um conjunto intersecção provindo do contato entre um e outro. Assim, fica fácil ignorar um lado e idolatrar o outro cegamente, sem questionamento, sem renovação.
Sei que nesse mundo moderno, onde as pessoas não têm mais tempo para nada, é difícil parar e tentar rever coisas que há tanto tempo já fazem parte de nosso comportamento, mas às vezes vale o exercício. Vale a pena, um dia, inverter os papéis. Ler as notícias como publicidade e ler a publicidade como notícia e constatar que, tais vestes parecem até novas nos velhos personagens.


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