Por que eles dependem tanto de nós – uma história de chá, servido com esmero
Se um dia desses, num acaso do destino, você estivesse andando calma e tranquilamente na rua e o incrível oráculo das três perguntas simplesmente pulasse na sua frente oferecendo a resposta para a tríade das questões irrespondíveis, o que você indagaria? Eu já elegi as minhas. Duas clássicas, é obvio, “qual é o sentido da vida” e “o que acontece depois que a gente morre” e uma que me perturba nas horas vagas “porque é que os homens são tão dependentes das mulheres?”.
Seria culpa de Eva? Culpa da galinha que colocou os ovos antes que os ovos fizessem as galinhas? Joanna d’Arc? Lady Guinevere? Queen Elizabeth? Aquelas outras que queimaram sutiãs????? Complexo de Édipo? Problemas com a cicatrização do cordão umbilical? Falta de amamentação? Super amamentação?
É difícil saber quem ou o quê culpar, o fato é que os homens são sim dependentes das mulheres. É claro que uns menos, outros mais, porém todos eles se mostram incapazes de realizar tarefas simples na ausência de nós, seres da raça feminina. E o que mais me intriga é que sim, eles tem total consciência disso, chegam a admitir em certas ocasiões e mesmo assim, reconhecendo tal incapacidade de lidarem com a vida sozinhos, muitos deles ainda tem a coragem de esbravejar aos quatro cantos que são melhores, sabem mais e isso ou aquilo. Se são às vezes incapazes de lavarem as próprias cuecas, acho bem improvável que possam ser tão grandiosos assim. Acho que tudo é parte de um mecanismo de auto-sugestão, se eu repetir isso infinitas vezes, irei acreditar e a vida pode ser mais fácil.
Grandes discursos femininos a parte, eu fico impressionada com a inabilidade que eles têm de não se adaptarem à novas situações. Como aquele ratinho que estava condicionado a pegar a comida no canto esquerdo da gaiola. Quando mudam o alimento para o lado direito, ele passa fome durante uma semana até que numa fúria de seus instintos, resolve sentir o cheiro e acha o jantar esperando naquele improvável canto direito.
Hoje escutei de um amigo, no seu estado vermelho radioativo de sol, que não tinha passado protetor solar porque não tinha nenhuma mulher para passar. Exageros à parte, não duvido que uma porção disso seja verdade. Já vi homem não comer fruta por ter preguiça de descascar. É só aparecer com a salada de frutas pronta que eles se jogam de cabeça. Acredito que tem uns e outros por aí que quando a mãe, mulher, namorada ou empregada sai de férias, passam fome ou não lavam a roupa nem passam pano na casa durante dias. Tem uns que não conseguem nem achar o telefone do disk-comida.
O pior de tudo é que, no fundo, parte da culpa dessa irritante dependência é nossa. A mãe que faz tudo pelo homenzinho para que ele possa gastar todo o seu tempo apurando sua masculinidade. Afinal, cozinhar, limpar a casa e outras coisas são (eram) serviço de mulher. Aí, o jovem rapaz cresce, se desenvolve, arranja uma namorada que, sabiamente, começa a fazer pequenos agrados. Um jantar aqui, uma arrumadela acolá. Quando vê, ele já não faz mais nada sozinho e ela não pára de servi-lo.
De repente, era pra ser assim mesmo. Não adianta ficar aqui pensando culpa de quem tudo isso é. Não adianta queimar toneladas de roupas de baixo em protesto, em espírito de libertação. Esse instinto materno não vai nos deixar parar de querer cuidar e esse desamparo inerentemente masculino não os deixa parar de depender.


2 Comentários:
Essa é uma pergunta que apenas Baiano e Novos Caetanos podem responder. O papo é esse: dizem que falam que não sei o quê. Ou não?
Nós precisamos de vcs para uma série de coisas, como vcs precisam da gente para outras, como por exemplo: abrir o pote de palmito!
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial