Those good old times – uma história de chá, de saudade
Por que frequentemente temos a impressão de que os tempos idos eram melhores do que aquilo que se vive hoje em dia? No fundo, no fundo, não se tem certeza se a afirmação é verdadeira, mas é inevitável soltar um “ah, no meu tempo era diferente”, “aquela época é que era boa” e a clássica “eu era feliz e não sabia”.
Acho que o saudosismo já faz parte do ser humano. Não tem como separar uma coisa da outra. Por mais que o que tenha acontecido no passado nem tenha sido tão fantástico assim, olhar para trás com os olhos de hoje sempre trás saudade e nostalgia.
É aquela coisa, o ano chega ao fim e você sempre espera que o ano seguinte seja melhor, porque afinal, pior não pode ser, e logo você se vê na mesma armadilha, sentindo falta daquilo que passou. Acho que é característica do ser humano relevar as coisas ruins e ficar sempre com a melhor lembrança. Como fim de namoro. Passado o trauma, a raiva e qualquer outro tipo de sentimento que envolva o rompimento, fica apenas aquela névoa dos bons momentos compartilhados juntos, lá se foram as brigas, os desentendimentos e toda a confusão do período final. Não sei se o ser humano é bobo ou esperto nesse aspecto. Esquece que o pior já passou e por vezes se mete nas mesmas enrascadas. Por outro lado, é muito melhor viver com a lembrança de algo bom, do que se machucar com a recordação de uma mágoa.
A impressão que eu tenho é que quando criança, eu era feliz sem precisar de muito. Às vezes, dá vontade de voltar no tempo e ficar lá. Mas só de em pensar em ser adolescente de novo e todas as outras coisas já me faz mudar de idéia rapidinho. Acho que no fundo a gente se ilude com esse negócio de passado. Só porque não pode ter, acha que seria melhor. E, provavelmente, vivendo o que quer que seja que agora temos saudades, naquele momento, estaríamos desejando estar em outro tempo e assim um após o outro.
Deve ser essa constante insatisfação do ser humano. Aquilo que nos move. Nunca está feliz com o que tem, quer o que não pode ter e sempre deseja algo que já passou, só pelo prazer mórbido de se torturar com o desejo que nunca será realizado. Acho sim que todo mundo tem um pouco de sádico. Ficar relembrando a mesma situação boa inúmeras vezes, num último esforço de não perder aquela sensação, sem perceber (ou percebendo) que assim, apenas cutuca a ferida da certeza de nunca mais poder ter aquilo de volta. Mas se lá, acho que na verdade é essa inesgotável vontade de algo que ainda não se tem que nos mantém caminhando para frente.


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