Chá ou Café?

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terça-feira, junho 05, 2007

E porque eu não posso ter um aquário – uma historia de chá, de água suja

Como toda criança, durante minha infância, eu sempre quis ter um bichinho de estimação. Entretanto, considerando que eu vivia em um módico “apertamento”, os tradicionais gato ou cachorro estavam fora de questão. Sendo assim, tive que apelar para medidas estranhas na tentativa de controlar esse desejo tão natural da idade. Cheguei, inclusive, ao cúmulo de tentar criar um formigueiro. Enchi uma caixinha de fósforo com terra e folhas, enfiei umas formigas e esperei, em vão, que algo acontecesse. Felizmente, em pouco tempo eu me dei conta que a idéia era um fracasso.

No intuito de acalmar essa minha vontade, minha mãe comprou um aquário com dois peixinhos dourados. Acredito que eu até cheguei a dar nome aos peixes. Isso da primeira vez, é claro, porque depois que a troca de peixes virou uma constância, parei com essa mania. Sim, os bichinhos não chegavam a durar mais do que 3 semanas. Até hoje, não sei muito bem do que morriam, se de fome ou exagero de comida. Se de trauma pela brusca troca da água, se de frio ou calor por causa da iluminação.

Apesar de parecerem fáceis de criar, não latirem, arranharem, roerem a mobília ou fazerem xixi no carpete, peixes são extremamente difíceis de se ter como animal de estimação, na minha humilde opinião, obviamente. Primeiro que o bicho não reclama se está com fome, sede (peixe tem sede vivendo no meio de tanta água?), frio, calor, vontade de ir ao banheiro, ou sono.

Daí vem o problema da comida que, para mim, vai ser sempre um mistério. Quando é muito? Quando é pouco? Considerando que os bichinhos têm memória de 2 segundos e depois que comem, esquecem que comeram, fica bem difícil mesmo. Enquanto tem comida, eles comem, se não tem comida, eles não gritam por mais, e se tem demais, eles explodem.

Aí vem o problema da higiene. Eles comem, dormem e vivem no mesmo lugar em que mijam e cagam. Por mais que você cuide da água, limpe, purifique e etecetera, tem sempre aquela aparência de partículas de sujeira passeando. E então você pensa, se esse animalzinho estivesse num rio ou no mar, não seria obrigado a conviver com sua própria merda, porque a correnteza iria levar. E agora porque eu, uma estúpida humana, obrigo o pobre coitado a literalmente viver na bosta? Um pouco injusto no meu, ainda que frio, ponto de vista.

Sem contar que peixes são suuuuuuper interativos. Você bate no vidro, eles assustam. Você fala com eles, não esboçam uma reação sequer. Você chama pelo nome, eles não abanam nem mais nem menos o rabo ou as barbatanas. Você grita, eles nem se alteram, você enfia a mão na água, eles fogem, você dá comida, eles não agradecem. Obviamente, devido ao grave problema de memória que os persegue, eles não conseguem nem lembrar quem você é, mas um pouco de atenção pelo lado deles não seria mal. Entretanto, considerando que você os tirou da liberdade e frescura das águas naturais, nada mais aceitável do que uma retaliação à altura.

Por fim, os peixes morrem com extrema facilidade na minha mão. Deve ser algo químico. Bastou eu cuidar dos bichinhos para eles irem direto pela privada. Fiquei tão boa no assunto que, hoje em dia, quando um deles morre, eu nem sinto mais culpa, tristeza ou desolação. Assassina profissional que mata a sangue frio. A pior espécie. E eu juro, não é por mal, eu alimento, converso, troco a água, sorrio e não adianta, eles teimam em continuar se matando. Provavelmente um biólogo iria explicar tudo de forma lógica, mas sinceramente, acredito que deve ser alguma reação alérgica ao meu corpo. Felizmente, mesmo pequena, eu ainda sou maior e sobrevivo, enquanto eles, um a um, morrem.

A conclusão que chego é que, na minha situação, a única coisa que eu posso criar é uma planta. E no caso, um cactus. Porque quanto menos contato de minha parte o pobre ser vivo merecer, para o bem dele e manutenção da espécie, melhor.

2 Comentários:

Blogger Luciano disse...

eu só consegui meu primeiro animal de estimação aos 22 anos e por enqto temos nos dado mto bem.

estava com saudades das suas histórias.

06 junho, 2007 11:59  
Anonymous Anônimo disse...

... cactos, irei providenciar.

Não se frustre, peixe é difícil mesmo.

18 junho, 2007 11:09  

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