Vivendo na ponta dos pés – uma história de chá, do pequeno polegar
Pode parecer exagero, mas não é. Eu vivo a vida na ponta dos pés. E não é no sentido figurado. Eu realmente realizo grande parte das minhas atividades cotidianas na ponta dos pés. E o pior de tudo, eu raramente reparo nisso. Só vou perceber quando algo dói, ou alguém tira uma com a minha cara.
O fato é que eu sou baixinha, mais baixa do que a média das mulheres brasileiras. E sendo assim, eu tenho que me virar. Mas como não foi algo que aconteceu de repente, muito pelo contrário, foi sempre algo cem por cento presente na minha vida, eu simplesmente passei a viver assim, sem nem me ligar do possível ridículo da situação.
Por exemplo, toda vez que eu tenho que passar o cartão (credito ou débito?) em algum lugar, o balcão é mais alto e para enxergar o visor, toca eu ficar na ponta dos pés. Nunca tinha reparado nisso, até que um dia, um aglomerado de colegas de trabalho observava a cena e ria descaradamente atrás de mim.
Outra tarefa complicada é escolher o sabor do sorvete ou ingredientes do macarrão em restaurantes ou cafeterias em que você pode combinar sabores (de ambos os alimentos porem não entre eles). Sempre tenho que ficar na ponta dos pés para conseguir ver todas as opções disponíveis.
Mas não é só a parte burocrática da minha vida que demando uma pressão maior na ponta de meus pés. A parte divertida também. Adoro jogar pebolim, entretanto, aquele canto que fica mais próximo de mim é um canto morto, não consigo enxergar a menos que fique bem na pontinha dos pés.
Shows. Primeiro que é impossível ficar no meio da muvuca. Ou eu fico bem na frente, ou nas laterais. Depois, a chance de eu ter alguma visão minimamente digna do palco é praticamente zero. Por fim, me resta acompanhar tudo do telão. E se já não me bastassem todas as dificuldades anteriormente citadas, eu ainda tenho que ficar na ponta dos pés, porque as cabeças de todos os outros sempre me atrapalham na hora de ver qualquer coisa e, principalmente, na ânsia de respirar um ar menos quente e poluído de tudo quando é aroma, impureza e gás, eu também impulsiono o corpo para cima buscando algo melhor para inspirar.
Sem contar o resto de cenas bizarras. Tentar alcançar alguma coisa numa prateleira na ponta dos pés, cumprimentar pessoas na ponta dos pés, beijar namorado na ponta dos pés, procurar alguém no meio da multidão na ponta dos pés, olhar algo que alguém aponta na ponta dos pés, operar máquina registradora na ponta dos pés e milhares de outras coisas que eu provavelmente faço, não me dou conta ou não me lembro, na ponta dos pés e que aos olhos dos outros seres normais deve parecer piada.
Viver na ponta dos pés, sinceramente, não é algo que me incomode, muito pelo contrário, até me diverte. O problema é que já é tão involuntário, que às vezes eu nem sei mais se eu fico na ponta dos pés ocasionalmente, ou em tempo integral.


2 Comentários:
Para isso existe a joaninha! Mas cara, pense do meu lado, por exemplo: além de ser alta, sou estabanada. Nos bares de mesinha de metal, sempre bato o joelho na parte de baixo, derramando cervejas e afins. No cinema minha perna fica encolhida, tal como nos ônibus aqui de são paulo que não tem espaço nenhum para colocar os pezinhos! o joelho, fatalmente, fica colado no banco da frente. E por aí vai.
Luís 15.
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial