Falando de espirros – uma história de chá, resfriado
Eu acho o espirro uma coisa muito engraçada. Como pode uma manifestação espontânea de barulho ser tão rica em detalhes e personalidade? Se você reparar, não existe um espirro igual ao outro. Eles são como flocos de neve. São únicos. Cada um nasce com o seu e não troca mais. Não adianta tentar atribuir estilo, classe, controle de notas musicais, entonação ou intensidade, o espirro é simplesmente incontrolável.
Se eu não estou enganada, ouvi certa vez que o espirro tinha a ver com a alma. Que se você espirrasse muito forte, podia cuspir sua alma fora, ou algo assim. Guardadas as devidas proporções, isto até que faz um pouco de sentido, já que o espirro é algo que foge ao nosso controle, só pode ser mesmo obra de nossa alma.
(bizarro. Acabei de espirrar. E isso não tinha me acontecido o dia todo.)
A maioria dos espirros são muito engraçados, na minha opinião. Tem gente que literalmente BERRA ao espirrar. Tem gente que espirra escondidinho. Tem o espirro clássico, o atchim, e tem também todo tipo e qualidade de barulho. O ruim é quando o espirro sai acompanhado de outras coisas, como uma tosse, ou uma dor de barriga.
Agora cruel mesmo é quando você espirra com a boca cheia de comida, de pasta de dente ou de qualquer outra coisa. Normalmente, quando isso acontece, penso que poderia aproveitar a ocasião para fazer um quadro impressionista ou alguma releitura das obras de Pollock. Tenho certeza de que alguma dessas novas galerias iria expor meu trabalho como tendência. Já tenho até nome para a exposição: “Arte em Espirros – Uma Manifestação da Alma”. O triste é que eu nunca tenho uma tela em branco perto de mim quando isso acontece.


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