Chá ou Café?

Chá. Chá preto, chá verde, chá mate, chá de lírio, chá de cogumelo.... para reunir os amigos, para conversar, para viajar... Histórias mais filosóficas, mais sensoriais, mais espirituais, mais... ........................................... Café. Café curto, café longo, café com um pouquinho de leite. Pra acordar, pra deixar ligado, pra tomar rapidinho no balcão. Histórias do dia a dia, teorias de 2 segundos, pirações mais terrenas...

quinta-feira, abril 12, 2012

De esquina em esquina, eu aprendo um pouco mais – uma história de chá, na calçada


É preciso ouvir as ruas.
É necessário ler os muros.
Os postes tem algo a dizer.
As calçadas tem sempre algo a contar.

São Paulo é um caos. Desordenado. Desumano. Desastrado. Egoísta. Narcisista. Alienado. Mas quem passeia desligado (casos bem incomuns, é verdade), encontra uma nova cidade.

Pássaros que teimam em desafiar o gorjear rude dos motores. Esperanças que se agarram aos postes. Palavras de ordem, de amor, de desespero que gritam dos muros. Cores, formas e tamanhos que se jogam das paredes. Restos de uma noite perdida que se espalham preguiçosamente pelas calçadas.

É preciso prestar atenção. É preciso andar distraído. Mas mesmo assim com um tiquinho dos sentidos sintonizados.

Essas ruas que têm tanto a dizer. Sombras que precisam tanto falar.

Quando ninguém está olhando. Enquanto o banqueiro dorme controlado. No momento em que os sonhos repousam. As verdades saltam de lado.

E eu leio e eu ouço. E eu escuto e observo. E eu entendo e eu opino. E eu concordo e eu compartilho.

Essas ruas foram feitas para andar e não para ficar parado. Esses muros foram feitos para colorir e não para dividir. Esses postes foram feitos para carregar mais amor do que energia.

Pra entender o que está sendo dito e vivido, é preciso sair da casca.

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