É preciso ouvir as ruas.
É necessário ler os muros.
Os postes tem algo a dizer.
As calçadas tem sempre algo a contar.
São Paulo é um caos. Desordenado. Desumano. Desastrado. Egoísta. Narcisista. Alienado. Mas quem passeia desligado (casos bem incomuns, é verdade), encontra uma nova cidade.
Pássaros que teimam em desafiar o gorjear rude dos motores. Esperanças que se agarram aos postes. Palavras de ordem, de amor, de desespero que gritam dos muros. Cores, formas e tamanhos que se jogam das paredes. Restos de uma noite perdida que se espalham preguiçosamente pelas calçadas.
É preciso prestar atenção. É preciso andar distraído. Mas mesmo assim com um tiquinho dos sentidos sintonizados.
Essas ruas que têm tanto a dizer. Sombras que precisam tanto falar.
Quando ninguém está olhando. Enquanto o banqueiro dorme controlado. No momento em que os sonhos repousam. As verdades saltam de lado.
E eu leio e eu ouço. E eu escuto e observo. E eu entendo e eu opino. E eu concordo e eu compartilho.
Essas ruas foram feitas para andar e não para ficar parado. Esses muros foram feitos para colorir e não para dividir. Esses postes foram feitos para carregar mais amor do que energia.
Pra entender o que está sendo dito e vivido, é preciso sair da casca.
0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial