Chá. Chá preto, chá verde, chá mate, chá de lírio, chá de cogumelo.... para reunir os amigos, para conversar, para viajar... Histórias mais filosóficas, mais sensoriais, mais espirituais, mais... ........................................... Café. Café curto, café longo, café com um pouquinho de leite. Pra acordar, pra deixar ligado, pra tomar rapidinho no balcão. Histórias do dia a dia, teorias de 2 segundos, pirações mais terrenas...
Viciado - uma história de chá, adicto
Via as mesmas palavras todos os dias.
Lias as mesmas expressões todas as horas.
Escrevia os mesmos advérbios todos os momentos.
Lembrava-se das mesmas figuras todo o tempo.
Sinônimos se fazem difíceis. Melhor usar as palavras da moda.
Inversões são confusas. Melhor manter a ordem das coisas.
E de vício em vício, esquecia tudo o que importava.
Nunca mais tinha sentido o prazer de uma aliteração. Nunca mais tinha dado oportunidade a um verbo. Nunca mais tinha ousado.
Escrevia como sempre. Era lido como sempre. E era como se nunca tivesse estado.
Dizia sem falar. Ouviam sem dar atenção.
Gastava apenas o óbvio.
Guardava o de valor tão bem, que ninguém sonhava mais em usar.
Um dia quis se libertar. Virou as conjunções do avesso. Chutou o imperativo. Aniquilou todos os adjetivos. Sem mais.
E escreveu de ponta-cabeça, o pincel na boca, as ideias nos fios dos cabelos. E os pés pro alto sem ter onde se apoiar.
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