Chá ou Café?

Chá. Chá preto, chá verde, chá mate, chá de lírio, chá de cogumelo.... para reunir os amigos, para conversar, para viajar... Histórias mais filosóficas, mais sensoriais, mais espirituais, mais... ........................................... Café. Café curto, café longo, café com um pouquinho de leite. Pra acordar, pra deixar ligado, pra tomar rapidinho no balcão. Histórias do dia a dia, teorias de 2 segundos, pirações mais terrenas...

Terça-feira, Março 03, 2009

Antes de existir a psicanálise, o que acontecia com os malucos? - uma história de chá, de prozac

Tudo bem, o senhor Sigmund Freud salvou a sociedade moderna de suas loucuras, mas será que um dia ele imaginou que todos ficaríamos tão loucos assim???

Antes de existir a psicanálise, os malucos eram queimados, internados, sacrificados, enfim, retirados da sociedade e, com alguma sorte, exterminados para que seus genes degenerados não fossem transmitidos e virassem apenas história.

A psicanálise permitiu que todos esses lunáticos fossem reintegrados à sociedade de forma satisfatória, ou seja, se comportando como todos os outros membros servis.

Numa analogia bem precária: você tem 3 gatos, todos eles bonitos e saudáveis. Entretanto, um deles, o mais agitado, vive querendo fugir, até que um dia ele consegue. Aí você põe a vizinhança toda atràs do gato, avisa o corpo de bombeiros, coloca anúncio no jornal. Felizmente, em algum momomento, acham o seu gatinho querido e o devolvem a você. Você, agradecido, sem palavras, só pensa em uma maneira mais eficaz de proteger seu estimado gato dos perigos da cidade. Cuida para que as portas estejam sempre fechadas, enche a casa de grades e telas e dá todo o amor do mundo para o gatinho fujão e não consegue entender porque o ingrato vive tentando arranhar ou morder você.

Com os malucos é exatamente a mesma coisa. Não dá para aprisioná-los em uma sociedade que não oferece o que eles buscam, não dá para prendê-los a uma personalidade que não condiz com suas vontades, não dá para moldá-los de acordo com comportamentos aceitáveis aos padrões da maioria.

Muito obrigada, senhor Freud por salvar nós mulheres da histeria, por oferecer explicações sobre a libido que propiciariam a libertação sexual e futuramente a queima de sutians, mas será que eu não tenho o direito de ser um pouquinho louca? De fazer as coisas que eu acho certo no momento em que eu acho certo sem que alguém me recomende um terapeuta?

Por que é que as pessoas não podem simplesmente agir diferente, pensar diferente e agir segundo pensam? Por que os comportamentos têm que ser padronizados, por que temos que nos encaixar em certos modelos, porque temos que fazer tudo o que os outros fazem do mesmo jeito? Por que é tão necessário aprisionar corpos e almas nos mesmos padrões chatos e entediantes? Porque vivemos em sociedade. Sim… a sociedade. Mas por que é que os malucos não se organizam em uma sociedade alternativa como cantou Raul? Talvez porque isso ameace a própria sanidade da sociedade atual…

Muitas perguntas, nenhuma resposta. Assim como a cabeça de um bom maluco. E por que é que somos tão desesperados em achar essas respostas? Por que temos que procurar os terapeutas para nos ajudarem a encontrar essas respostas? Por que temos que tomar remédios para esquecer dessas perguntas e apenas agir como os outros? Por que é tão importante ser igual a todo mundo?

Talvez hoje em dia os artistas sejam os únicos autorizados a viverem como malucos. Mas, como antes, também têm que pagar por isso, sendo queimados por meios de comunicação aproveitadores e retrógrados, por opiões de pessoas hipócritas e enrustidas e ainda com a obrigação de devolver à sociedade o que ela quer: uma esperança de que ainda é possível ser maluco e agir de acordo com o que se pensa.

Eu não sou artista. Creio que nunca serei. Mas acho que sou maluca. Uma pena que não posso agir como tal, porque ao fazer isso, serei queimada na fogueira da sociedade, ou internada em uma sala de terapia ou então obrigada a engolir pilulas mágicas e prometer que vou agir como todo o resto das pessoas normais.

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Por que os seres humanos gostam tanto de apreciar o sofrimento uns dos outros? – uma história de chá, com uma gota de sangue

É impressionante, é chocante, você pode até discordar, mas é histórico. O ser humano adora apreciar a desgraça alheia. E desgraça não se restringe apenas a assistir alguém levando um tombo ou uma bronca. O que realmente diverte a humanidade é sangue, dilaceração e às vezes até requintes de crueldade.

E por que tudo isso?

Bem, primeiro, obviamente, porque o ser humano é o único capaz de matar, tendo total consciência de seus atos, um ser da mesma espécie pelos motivos mais diversos, inclusive por prazer.

Sendo assim, cada um de nós sabe que morrer não é somente uma consequência natural da vida, mas sim um risco constante e que pode inclusive ser causado por um igual. Tendo consciência de tudo isso, sentimo-nos impelidos a testar nossos sentidos, a imaginarmo-nos em cenas de mortes, e a temermos o dia de sua chegada.

Desta forma, observar a vida se esvaindo, observar o sangue sendo jorrado é uma forma de provarmos a nós mesmos e nos convencermos de que a vida é finita. E é por isso que assistir episódios de morte com grande atenção e curiosidade é um dos passatempos preferidos do homo sapiens.

Desde a antiguidade, a humanidade tem assistido a espetáculos sanguinolentos. Batalhas de gladiadores, enforcamentos em praças públicas, pessoas queimadas vivas e tantos outros

Atualmente, nos contentamos com os acidentes de trânsito, os atropelamentos, as guerras pela TV, jornais sensacionalistas, revistas exageradas, e-mails com fotos dramáticas, e toda e qualquer cena que contenha uma boa quantidade de sangue, seja ela na tela do cinema, ou ao vivo em alguma parte da cidade.

Por outro lado, é de senso comum que uma boa fofoca falando mal de alguém é sempre um bom entretenimento numa roda de amigos, ou mesmo em uma roda de meros conhecidos ou colegas de trabalho. Então, talvez o ser humano seja apenas sarcástico, nada de mais. Não dizem que Deus é sarcástico? Fomos feitos à sua imagem e semelhança, logo…

Por que aprendemos a fingir desde quando somos crianças? - uma história de chá, que finge ser água

Quando crianças, passamos muito tempo brincando de fingir. Fingir que somos adultos, fingir que somos pais, fingir que somos ladrões, policiais, donos de supermercados, empresários, cozinheiros, magos, bruxos, animais, bombeiros e o que mais aparecer na cabeça.

A única coisa de que não temos consciência é que toda essa brincadeira de fingir está na realiade nos preparando para a vida adulta.

Porque ao crescer, temos que decidir os papéis definitivos de nossas vidas e seguir encenando cada um deles. Isso porque, quando você cresce e arranja um monte de responsabilidades diferentes, é impossivel não perceber que para cada uma delas é necessáruio utilizar um tipo de máscara e fingir um personagem diferente.

Assim, criamos uma personalidade para lidar com a família, outra para os amigos e uma terceira para o ambiente profissional, principalmente porque no trabalho, é necessário conter algumas vontades, maneirar no vocabulário, cuidar das impressões, (primeiras, segundas, terceiras e tantas quantas possam aparecer) e mais um monte de pequenos detalhes que você se condiciona dia após dia.

E aí, qdo você se pega sozinho em casa sem a família, sem os amigos, e sem os colegas de trabalho, você, muitas vezes, nem sabe mais quem você é, como deve agir, como deve falar, o que deve fazer ou quem realmente você é.

É por isso que tem vezes que eu faço questão de ficar sozinha em casa. Eu e meus problemas, eu e minhas inquietações. Eu e o espelho. Pra poder pensar em quem eu sou, o que eu quero e o que eu não quero. Porque vestir todos aqueles personagens constantemente, muitos deles todos no mesmo dia, cansa.

E é por esse mesmo motivo que não me espanta nada que os casos de esquizofrenia não sejam mais notícia de jornal hoje em dia. Afinal, num mundo em que tudo muda muito rápido e você tem que ser tudo junto e ao mesmo tempo, todos nós sofremos de múltiplas personalidades sem nem ao menos chegarmos a ter consciência disso.

Segunda-feira, Novembro 03, 2008

Por que hoje em dia as mulheres têm nome de alimentos que se compra por quilo?

Será um contra ataque ao irritante peso das anoréxicas e bulímicas? Ou será uma referência a “comer”? De repente é só para manter um fácil relacionamento e identificação com “a massa”.

O que me leva a imaginar outros tipos de mulheres. A Mulher Feijoada, aquela que vai muito bem com uma caipirinha, ou a Mulher Dobradinha, aquela patrocinada pela Michelin.

Obviamente a Mulher Alface, ou a Mulher Chuchu não parecem muito apetitosas, mas certeza que esses apelidos cairiam muito bem às passarelas do último Fashion Week.

Sexta-feira, Setembro 12, 2008

Alguém substitui o Fordismo, por favor??? – um conto de café, em série

Já está mais do que na hora dos empresários mudarem seus métodos de gestão de empregados. A revolução industrial teve início no século retrasado e muitas das práticas empregadas hoje em dia ainda remetem àqueles tempos.

Obviamente, o Fordismo foi uma das invenções mais importantes para os métodos de trabalho, mas é obvio também que essa fórmula não pode ser aplicada a todos os tipos de empregos, já que muitos deles não são tão mecânicos quanto aqueles a que o Fordismo se dirigia.

Todas as especializações profissionais que existem hoje em dia devem agradecer ao Fordismo por existirem, já que, antes dele, um médico, era apenas um médico, e hoje em dia ele pode ser um geriatra ou ginecologista.

Por outro lado, aplicar o mesmo método para trabalhos intelectuais pode ser altamente catastrófico. É muito leviano medir a capacidade de um destes profissionais apenas pela quantidade de trabalho produzido, ou tempo utilizado para tanto. A atividade mental demanda tempo e dedicação e depende de outros fatores alheios a máquinas.

Quantidade não é qualidade, é por isso que existem pesquisas quantitativas e qualitativas para medirem coisas diferentes, mas, ao que tudo indica, devido à grande concorrência do mercado, em todas as áreas, hoje em dia, qualidade para o empregador já virou sinônimo de quantidade. Quanto mais seus escravos produzirem, maior o faturamento e melhor para o bolso, independente da qualidade do produto final. E o produto final, nessa massificação incessante, está perdendo cada vez mais a sua qualidade.

Ou você acha que a queda da qualidade das obras literárias, cinematográficas, televisivas e todo o resto é reflexo do quê? Hoje em dia, as pessoas são pagas por quantidade e não por qualidade, e quanto maior a quantidade de coisas criadas, menor a sua qualidade, isso porque, no processo criativo, muito há de ser descartado antes do alcance do produto final, entretanto, nessa fúria pela obtenção do lucro imediato, nada mais é deixado de lado. Tudo vira objeto de consumo, tudo vira moda, tudo vira desejo.

Quando no início do século passado vieram os direitos trabalhistas, com jornada de trabalho semanal de 40 horas, férias obrigatórias e 13º salário, todo mundo achou que a alegria estava garantida, mas é muito fácil ver que as coisas não são bem assim. Não é possível aplicar essa fórmula mirabolante a um trabalho que dependa de sua capacidade intelectual por exemplo.

Não é possível exigir que fulano passe 8 horas na firma, batendo cartão de ponto para tudo e qualquer coisa e produza como um funileiro. Há dias em que o volume de trabalho é mais intenso, há dias em que não há nada o que se fazer. Não há motivos para que este ser humano esteja enjaulado por todas essas horas rezando para o tempo passar. É isto o que os empregadores ainda não perceberam.

Não perceberam que quando estão comprando a capacidade intelectual de seus empregados, não estão pagando por porcas e parafusos, mas sim por bens muito mais intangíveis e difíceis de mensurar. Não é a quantidade de palavras escritas que determina a qualidade de um texto, e sim a sua originalidade e relevância. E como ser original e relevante quando não te pagam por isso, mas sim pelo tempo em que você fica sentado em sua cadeira estragando sua retina na frente de uma tela de computador? Impossível. Da mesma forma que é impossível comparecer a todas as suas “obrigações” em horário comercial quando você trabalha exatamente neste horário.

E, há de se convir que direitos trabalhistas, hoje em dia, são realmente coisa do passado. É difícil um emprego que respeite todos os direitos do trabalhador, que ofereça férias a seus empregados, que pague horas extras ou não extrapole a carga horária semanal. O que eles querem é sempre mais, oferecendo sempre menos e cobrando uma produção dissociada da realidade.

Os empregadores do 3º milênio deveriam percebem que o mundo mudou, que a internet aproximou e também distanciou as pessoas, que o trânsito deixou nossas vidas inviáveis, que as doenças da alma e da mente já são muito mais perigosas do que as doenças do corpo e que por esses e outros milhões de motivos todos os modos de trabalho e cobrança dos mesmos deviam ser adaptados e reformulados de acordo com a nossa realidade.

No português claro, o empregado que está com tempo ocioso deveria poder usar seu tempo para si, ao invés de fazer presença, e quando este mesmo profissional estiver em produção, deve possuir tempo suficiente para aproveitar toda a sua capacidade intelectual, não usar apenas subterfúgios de fácil absorção para as massas no ímpeto de se livrar do pepino.

Falando de espirros – uma história de chá, resfriado

Eu acho o espirro uma coisa muito engraçada. Como pode uma manifestação espontânea de barulho ser tão rica em detalhes e personalidade? Se você reparar, não existe um espirro igual ao outro. Eles são como flocos de neve. São únicos. Cada um nasce com o seu e não troca mais. Não adianta tentar atribuir estilo, classe, controle de notas musicais, entonação ou intensidade, o espirro é simplesmente incontrolável.

Se eu não estou enganada, ouvi certa vez que o espirro tinha a ver com a alma. Que se você espirrasse muito forte, podia cuspir sua alma fora, ou algo assim. Guardadas as devidas proporções, isto até que faz um pouco de sentido, já que o espirro é algo que foge ao nosso controle, só pode ser mesmo obra de nossa alma.

(bizarro. Acabei de espirrar. E isso não tinha me acontecido o dia todo.)

A maioria dos espirros são muito engraçados, na minha opinião. Tem gente que literalmente BERRA ao espirrar. Tem gente que espirra escondidinho. Tem o espirro clássico, o atchim, e tem também todo tipo e qualidade de barulho. O ruim é quando o espirro sai acompanhado de outras coisas, como uma tosse, ou uma dor de barriga.

Agora cruel mesmo é quando você espirra com a boca cheia de comida, de pasta de dente ou de qualquer outra coisa. Normalmente, quando isso acontece, penso que poderia aproveitar a ocasião para fazer um quadro impressionista ou alguma releitura das obras de Pollock. Tenho certeza de que alguma dessas novas galerias iria expor meu trabalho como tendência. Já tenho até nome para a exposição: “Arte em Espirros – Uma Manifestação da Alma”. O triste é que eu nunca tenho uma tela em branco perto de mim quando isso acontece.

Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Divagações sobre a nova atitude do sol paulistano – uma história de chá, nublado

Você já reparou que agora o sol trabalha apenas de segunda a sexta e folga nos finais de semana? Espero que ele não comece a adotar a carga horária do congresso paulistano.

E o que foi aquela auréola de arco-íris sexta feira passada na hora do almoço? Alguma piadinha de mau gosto antes dele se retirar definitivamente para o seu final de semana recheado de orgias e depravações?

Qual será a atitude de protesto que o Sr. Sol irá tomar frente a convocação do horário de verão? Tenho medo que ele se rebele e vá tirar férias no Haiti. A-DO-RO o horário de verão.

Agora falando sério, quando o Sol vai parar de tirar sarro do pobre trabalhador paulistano? Porque chover no final de semana e fazer “céu de photoshop” na segunda-feira é muita sacanagem. Quem trabalha a semana inteira trancado numa caixa de concreto não merece isso. Eu quero ver esse sol ter coragem de aparecer assim, com toda a sua disposição, nesse final de semana. Porque feriado que cai em pleno domingo já é mancada suficiente para o sol ainda se atrever a não dar as caras.

Quarta-feira, Agosto 06, 2008

Tragédia nas Olimpíadas de Pequim – uma história de café, péssimo

Tem gente que me acha pessimista. Eu me acho pessimista muitas vezes, mas para essas Olimpíadas de Pequim, não tem como não ser. E eu nem estou falando do Dunga e sua seleção de ouro, que já entram derrotados porque nosso querido técnico diz que não há como ganhar sem as condições adequadas de treinamento na China.

Eu estou falando do país sede mesmo. Eu tenho quase absoluta certeza de que alguma tragédia bem grande, envolvendo muita gente, vai acabar acontecendo. Um terremoto, um atentado pela libertação do Tibete, um arrastão feito pelos trabalhadores expulsos de Pequim, qualquer coisa desse tipo.

Se bem que eu também achava que os Jogos Panamericanos iriam acabar em tragédia no Rio, por motivos óbvios é claro, e nada aconteceu. Então, pode ser apenas mais um pouco do muito do meu pessimismo. Mas num país passando por tantos conflitos políticos, sociais, econômicos e também naturais, é de se esperar que algo aconteça afinal, quando o país mais populoso do mundo recebe mais gente ainda, alguma coisa tem que dar errado.

Caso alguma tragédia aconteça, cobrarei meus honorários por vidência.

Quinta-feira, Julho 24, 2008

E como assinamos nosso próprio fim – uma história de café, do Apocalipse

É interessante pensar que um dia já fomos seres primitivos que viviam em cavernas e comiam carne crua sem se importar com a vaca louca ou com travesseiros de pena de ganso. Apesar de termos evoluindo muito, não só como espécie, mas também individualmente, acredito que em certos aspectos o ser humano, ou homo sapiens, involuiu muito também.

É só ligar a TV para ter certeza disso. E eu não estou falando apenas dos programas ridículos que atrofiam o cérebro de crianças, donas de casa e grandes empresários. Eu estou falando das indicações e comentários da nossa querida classe de formadores de opinião. Tidos como gurus do século 21, qualquer idiota que apareça em rede nacional dando dicas de beleza ou boa alimentação é imediatamente consagrado como mestre.

O que ninguém percebe é que eles estão apenas mandando todo mundo agir contra nossos próprios instintos. Oras, nós bem sabemos que nossa espécie não surgiu do nada, bem vestida, bem apessoada, de barba feita, depilada, silicone nos seios e corpinho esbelto. Se formos supor que o homo sapiens, ser humano ereto e pensante, existe a cerca de 2.000 anos, apenas os últimos 100 anos foram marcados pela vida como conhecemos hoje. Os outros 1900 anos foram exatamente ao contrário.

Ou seja, quando ligo a TV e vejo um imbecil dizendo que não comer carne vermelha é o segredo para ter uma vida saudável, quero entrar dentro do tubo e matar o filho da puta. Como é que ele explica a manutenção da nossa raça sendo que por pelo menos 1.000 anos de nossa existência comíamos sempre carne vermelha e ainda por cima crua?

Nossos antepassados caçavam, pescavam, plantavam e colhiam. Não tinham geladeira, não tinham condimentos, não tinham industrializados, muito menos microondas. Comiam o que tinham, na hora em que tinham. E se conseguiam caçar um alce, comiam o quanto agüentavam, porque não sabiam quando iriam poder comer de novo.

Agora sabendo disso, com é que um idiota aparece na TV dizendo que eu, ser humano, devo parar de comer carne vermelha? Certo, eu entendo que como hoje em dia não temos que caçar e, portanto temos carne à vontade, temos que consumir com maior parcimônia, mas quem essas pessoas são para dizer o que eu devo ou não devo fazer? Obviamente essa mensagem não se dirige a mim, e sim à legião de idiotas que tem na TV a solução para os problemas. Mas mesmo assim, como é que as pessoas podem acreditar numas coisas dessas?

A explicação é muito simples, ninguém se preocupa mais em conhecer quem é, todos querem simplesmente ser alguém, alguém que está na TV, principalmente. E qual é a forma de se tornar alguém que está na TV? Agindo como eles, ou melhor, seguindo os exemplos dados e sugeridos por eles.

Assim fica fácil explicar porque tem tanto silicone nos peitos hoje em dia, porque tem tanto homem com braços descomunais (lembrando que hoje em dia a gente não caça mais, nem tem que lutar contra ursos), e porque tem tanta bizarrice em tanto lugar.

Se o ser humano compreendesse que não tem que ser magérrimo para manter sua existência, que não tem que se privar de nada para manter sua saúde e que não tem que dançar conforme a música para estar na moda, talvez tivéssemos um futuro mais promissor à nossa frente.

Mas como hoje em dia temos que conviver com nações e nações de idiotas, acho mesmo que a coisa mais justa é que a natureza se volte totalmente contra nós, afinal, nos voltamos totalmente contra nossa natureza. Dessa forma, caso tsunamis, furacões, vulcões e terremotos voltem a atormentar a sua paz no noticiário das 21hs, saiba que isso é só o começo.

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Brasil: Presidente X Técnico da Seleção – uma história de chá, com pão e circo

No Brasil, é mais difícil ser técnico da seleção canarinho do que presidente da nação. Isso porque, quando você é técnico, você precisa ganhar, golear, ser campeão. Agora quando você é presidente, no máximo precisa falar bastante, mas não precisa fazer muita coisa não.

Se o novo técnico da seleção brasileira perde 3 jogos na seqüência, e especialmente se perde um deles para a Argentina, já é motivo para 180 milhões de cidadãos pedirem-lhe a cabeça.

Todos os noticiários irão falar apenas disso, todos os jornais irão escrever apenas sobre isso todas as rodas de amigos em todos os lugares de todas as classes sociais irão discutir apenas isso.

A população inteira irá se unir para exigir um novo técnico imediatamente.

Agora, em contrapartida, se o presidente aumenta os impostos, se o presidente usa seu cartão de crédito corporativo de modo indevido, se o presidente só viaja, se o presidente mal consegue falar, ou se o presidente perde o controle sobre a inflação, a população não move um cílio para exigir um novo presidente, ou novas medidas.

Ser técnico da seleção é agüentar uma pressão constante, a maior de sua vida. Ser presidente do Brasil é uma colônia de férias gratuita, com remuneração garantida e infinitos itens de bônus.

Para ser técnico da seleção, há de se ter culhão. Para ser presidente do Brasil, basta saber escrever o próprio nome e às vezes nem isso.

Terça-feira, Junho 10, 2008

Pobre de marré marré – uma história de chá, de meia

Desde que o mundo é mundo, existem os dominadores e os dominados. De lá para cá pouca coisa de grande importância mudou, apenas meros detalhes, alguns trâmites burocráticos, uns tantos títulos de nobreza e algumas nomenclaturas. O mais importante, o forte cordão que une uma classe à outra, ainda continua intacto: o medo aliado a uma enorme esperança de um dia conseguir a liberdade.

Mas se hoje somos todos homens livres, cidadãos de bem e pagadores de impostos, porque ainda temos esperança de um dia conseguirmos a liberdade? Porque o que temos hoje é a falsa liberdade, assim como os antigos conservavam a falsa escravidão.

A relação entre dominadores e dominados é um mal necessário à evolução da espécie humana. De um lado uma minoria astuta, inteligente e dotada de uma sorte extraordinária, enriquecendo as custas de esforços alheios e trabalhando para espremer ainda mais a massa de derrotados. Do outro lado, uma grande maioria sofredora (não são apenas os corinthianos) que trabalha muito, sonha pouco, ganha menos ainda, não possui sorte alguma e esperança em demasia.

O grande defeito dos dominados é nunca perceber que são a maioria e que poderiam juntos mudar o curso da história. A grande sorte dos dominadores é contar com o defeito de seus dominados. Apesar de serem em número menor, os dominadores não temem a força dos dominados, pois sabem que estes são incapazes de fazer coisa alguma. Isso porque, cegos pelo desejo de se tornarem livres e por conseqüência dominadores, eles não enxergam uns aos outros e continuam isolados em suas masmorras de pobreza, enquanto os dominadores enriquecem cada vez mais com esses esforços inúteis dos dominados.

O funcionário exemplar que se ilude achando que mostrando proatividade, alta produção e dedicação total e absoluta ao trabalho irá um dia chegar a posição de chefe está simplesmente alimentando essa máquina autodestrutiva. Trabalhando tanto assim e cobrando tão pouco, é a alegria do patrão, um cachorrinho bem treinado sobrevivendo de caricias desprovidas de qualquer sentimentalidade.

Chefe feliz e estagnação no emprego. Enquanto o dominado se ilude achando que “um dia chegará lá” o dominador enche o cu de grana e celebra a burrice de seus empregados. Isso porque, se os escravos se unissem contra ele, ele sabe que seria derrotado.

E assim é desde que Adão e Eva primeiro pisaram nessa terra. Na Antiguidade, os escravos obedeciam aos reis e imperadores. Na Idade Média, os servos, aos senhores feudais, e na Idade Contemporânea, o proletário, aos patrões.

Antes o homem ainda alimentava uma esperança real de liberdade, sair do cativeiro e tirar as amarras de ferro. Hoje em dia, a escravidão é psicológica e financeira, barreiras muito mais difíceis de serem quebradas. Agora, o escravo, vulgo empregado, é servo das artimanhas psicológicas de seu patrão, e escravo de sua dívida no banco. Não podendo largar o emprego, e ver-se então em LIBERDADE, nem por um motivo ou pelo outro, se mantém na mesma situação por toda a sua vida, alimentando a falsa idéia de que um dia terá dinheiro o bastante para realizar seus sonhos, ser livre, senhor de si, deixar de ser dominado.

Ao se dar conta de que nunca será um dominador, o dominado prepara seu plano de previdência privada, alimentando um novo falso sonho, de se tornar milionário aos 65 anos de idade, depois de ter perdido toda a sua juventude, o crescimento de seus filhos e talvez até de seus netos nesse delírio sem sentido, na busca pelo dinheiro incalculável e o poder que dele poderia ser obtido.

Agora, de que vale 1 milhão de reais com 65 anos de idade? Me diz? Porque o banco tenta me vender isso? O que eles querem que eu faça até lá? Eu quero mais é torrar todo o meu salário com tudo o que me der na telha porque nunca se sabe quando um caminhão vai passar por cima dos meus miolos sem dó nem piedade e toda essa história de dominadores e dominados não fará mais diferença alguma.

Afinal, é só pra isso que a gente trabalha. Juntar dinheiro e gastar. Porque mudar de vida, pensando pequenininho assim, ninguém vai. E essas histórias de gente que começou vendendo limão e hoje é dono de empresa de televisão não passam de mais um conto da carochinha.

Segunda-feira, Junho 09, 2008

Devido a problemas técnicos com direitos autorais... - uma história de chá e café

... esse blog foi retirado do ar há um mês. Isso porque um leitor me avisou que uma de minhas postagens, a que viaja sobre o que eu faria se ganhasse 500 mil reais, foi parar em um site do Amapá, Portal do Amapá para ser mais exata, como sendo um artigo de Renivaldo Costa (olha a catigoria do nome!), que se auto-intitula Jornalista e Educador.

Educador que rouba material intelectual e coloca em um Portal Estadual como de sua autoria não merece respeito, muito menos o jornalista que faz o mesmo. Agora imagine um Educador e um Jornalista na mesma pessoa com sérios problemas de caráter? Realmente não merece nem a merda da mosca que pousou em cima do coco do cavalo do bandido...

Obviamente, cega pela raiva de ser roubada, eu tirei o blog do ar, entrei em contato com o ladrão, fiz ele tirar o meu texto do ar também e tudo ficou por isso mesmo.

Aí, conversando recentemente com uns amigos, percebi que poderia ter me aproveitado melhor da situação, já que hoje em dia a circulação de material intelectual com autoria duvidosa é muito comum. Se vira e mexe eu recebo texto assinado pelo Luís Fernando Veríssimo que ele nem escreveu, porque isso não iria acontecer comigo? Ou seja, plágio, hoje em dia é elogio. E me disseram que a conexão no Amapá é uma das piores do Brasil. Olha só quanto esforço o meu ladrão-leitor teve que se submeter só para roubar algo de bom.

Sendo assim, lembrando que até publicidade ruim É publicidade, volto a deixar público esse blog. Isso porque, na época em que ocorreu o referido surto, esse endereço registrava sua maior audiência já vista. Tinha ilustres leitores desconhecidos e ocupava uma das 3 primeiras páginas de busca do Google. Hoje, fiz a mesma busca e ele não estava na relação nem dos 3 primeiros. Uma pena..

Bem, caro ladrão, caso pretenda usar indevidamente qualquer texto contido nesse endereço, por favor, cite a fonte de autoria: Raquel Machado. E caso utilize o material para qualquer fim comercial, por favor, envie o cachê para mim.

Caro leitor, espero que você volte a freqüentar o blog, prometo reabastecê-lo com maior freqüência. E caso não tenha nada para fazer, envie um e-mail para esse endereço. No resto do tempo, divirta-se com muito Chá, Café, ou Bolo!